A vez da areia em saca

27/06/2016 às 12:08:31

A vez da areia em saca

A vez da areia em saca

Se você é daqueles que ainda vive no tempo em que a areia aplicada às pequenas obras de reformas e consertos domésticos é transportada para casa em carrinho de mão, baldes e outros recipientes improvisados ou que continua obrigado a comprar além da necessidade porque a loja de materiais de construção do seu bairro só vende o produto por metro cúbico, saiba que você está ultrapassado. Esse tempo do desperdício de materiais e de dinheiro já passou! 

Pensando na praticidade ao consumidor, algumas empresas começaram a explorar um nicho lucrativo, até então desconhecido em Mato Grosso: o ensacamento de areia. Disponível em embalagens de 10, 20 e 25 quilos, o produto está conquistando os consumidores e abrindo caminho para a venda de outros itens em quantidades similares, entre os quais cascalho, brita e pedrisco. Todas essas mercadorias agora chegam às lojas especializadas em sacas, seguindo a tradição do cimento, cal, argamassa, terra-preta, entre outros. 

Quem apostou no negócio não se arrependeu. Sócio-diretor da Colafix Argamassa e Revestimentos, sediada em Várzea Grande, Diogo Costa, 32 anos, é um dos pioneiros no ensacamento de areia e similares. 

Começou há três anos, depois de retornar de uma feira de materiais de construção em São Paulo. Costa diz que achou simples, porém, diferente a ideia de vender areia em sacas, como já fazia com a argamassa. Como desconhecia a existência de empresas operando nesse modelo no Estado, assim que retornou da feira, lembra, apresentou a proposta aos sócios. 

Em menos de 30 dias depois de desenvolver a embalagem, começou a produzir e oferecer às lojas de materiais de construção para as quais já comercializava a argamassa. 

Atualmente, a venda da areia ensacada representa 15% do faturamento da indústria. Com um grande diferencial: uma margem de lucro bem maior, o dobro do obtido nos demais produtos. 

Se pudesse escolher com o que trabalhar pela lucratividade e pela facilidade operacional, Diogo Costa não pensaria duas vezes. A resposta seria vender areia ensacada em pequenas quantidades, segundo ele. 

Há 11 anos no ramo industrial, Costa observa que a argamassa, o carro-chefe da empresa, é como uma receita de bolo, portanto, exige muito cuidado na mistura e combinação das quantidades, enquanto a areia é só embalar. 

Quando instalou a indústria, Costa tinha apenas três funcionários. Preparavam a argamassa pela manhã, entre 400 e 500 sacas e à tarde saiam para fazer as entrega, ele mesmo dirigindo o caminhão. 

A Colafix atualmente tem 25 empregados e produz mais de 4 mil sacas ao dia. Poderia está bem melhor, não fosse a crise econômica que afeta todos os setores da economia no país. Este ano, de acordo com Costa, por causa da queda nas vendas a empresa teve de demitir seis funcionários. 

Em que pese dificuldades iniciais e a crise financeira atual, ele não se arrependeu de ter abandonado a profissão de vendedor de telefone celular para apostar no sonho ter seu próprio negócio. 

Nada, porém, aconteceu por acaso ou de graça, como ele diz. Nesses 11 anos, Diogo Costa já perdeu as contas de quantos cursos fez para ser um empreender. 

Da lista, pelo Sebrae/MT, fazem parte: atendimento ao cliente, análise, planejamento e gestão financeira, técnicas de venda, empreendedorismo, entre outros. Ele diz que acha importante participar das feiras do setor, como aquela em que viu areia ensacada pela primeira vez, assim como necessário se atualizar para acompanhar as tendências e mudanças do mercado. 

ACOMAC - O vice-presidente Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção do Estado de Mato Grosso (Acomac), Antônio Zompero, diz que aproveitar nichos de mercado como esse, da venda de produtos da construção civil em pequenas porções, como a areia, se encaixa em um velho ditado popular que diz que “a necessidade faz a hora”. 

Nesse caso, diz, a necessidade de aumentar as vendas, o faturamento e, claro, de melhor atender ao consumidor. É dessa maneira, muitas vezes a partir de demandas levantadas pelos próprios clientes, que ocorrem as inovações. 

Zompero observa que são as reformas domésticas e os serviços de manutenção que sustentam o comércio da construção civil. “É o chamado varejo formiguinha”, observa. 

A crise econômica que assola o país, destaca, afetou o setor. Entretanto, segundo ele, nada que se compare ao que acontece no campo das grandes construções, que está praticamente parado. “No Estado de Mato Grosso, há cerca de 2 mil casas do ramo, de pequeno, médio e grande porte, gerando mais de 30 mil empregos diretor. Criatividade para diversificar a oferta de produtos, continuará sendo a tendência e a garantia de crescimento desse mercado”.

Conteudo retirado do site:

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=478643